“ARTE ARQUITETÔNICA E/OU OBRA DE ARTE”
Escolhido em um concurso público, o projeto, que se afirma graças à construção de um vão de mais de cinqüenta metros em concreto, associa-se ao projeto paisagístico de Burle Marx, fazendo dessa arquitetura um traço marcante no cenário nacional, também no internacional. O MuBE, ao contrário dos museus tradicionais, é um museu aberto, não possui um acervo fixo, recebe exposições temporárias de artistas de toda parte.
Sem qualquer inspiração sobre o programa para um museu de escultura, que até então nunca fora executado, Paulo Mendes da Rocha mais uma vez, fez sua genialidade aflorar para compor a obra certa para o lugar certo. Nota-se o completo domínio do sítio, da topografia, observando-se a forma como foi solucionado os fluxos de circulação do próprio edifício, do seu entorno, e da ligação entre os dois.
A forma como o Museu está implantado é muito interessante, não havendo uma fachada principal, lateral ou frontal. Caracterizado por pórticos e planos, a configuração espacial se dá por um jogo estrutural proporcionado por uma composição de elementos construtivos tradicionais, no caso os pilares, vigas, lajes e paredes de concreto armado.
A viga, único elemento construído sobre o solo, é portal de entrada do museu e também abrigo para as diversas manifestações artísticas. Os espaços que constituem os grandes salões obedecem a um princípio de continuidade exterior-interior mediante rampas, escadas e luz natural zenital e lateral.
A sensação que se tem que para projetar o MUBE, o arquiteto a todo instante se referenciou à cidade, ao urbano e sua morfologia. Onde desde a entrada percebe-se que interior e exterior de intercomunicam, numa relação que nos leva a inferir que, a praça, o museu externo, e o subsolo, museu interno, fazem parte de uma “continuação” do território urbano, e que só tem vida na relação do interno com o externo.
Surge por fim uma conclusão inevitável, onde, obra arquitetônica se confunde com a obra de arte, um edifício criado para expor obras de arte acaba por se tornando também uma obra de arte, em que, arte arquitetônica não se diferencia de arte plástica, nem tão pouco, a arte plástica esta desassociada de uma função, sobretudo, quando proporcionar bem estar ao ser humano, assim como o faz também a arte arquitetônica.
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