"AS CASINHAS DE ARTIGAS"

Conhecida como a casinha, foi construída em 1942, cinco anos após Vilanova Artigas ter se formado arquiteto-engenheiro. Apesar de ter uma importância relativamente pequena se comparada a projetos posteriores de sua autoria; algumas questões levantadas por Artigas no projeto representam mudança importante, tais como: ruptura em relação à planta da casa tradicional paulista (a qual carregava valores vinculados a uma estrutura colonial-escravocrata), tratamento das fachadas (a casa foi implantada em 45º no terreno de maneira a desfazer qualquer tipo de hierarquia entre fachada principal, frente e fundo) e a distribuição interna (a cozinha passou a se integrar na sala), com isso a circulação dentro da casa mudou.

A segunda residência do arquiteto de 1949 compõe-se de um volume de planta retangular, ao qual se agrega em ângulo outro volume que contém a garagem, a área de serviço e a cobertura de entrada. O eixo deste volume traça angulo de 90º com o eixo de entrada da casinha, construída no mesmo lote.
A planta está ordenada a partir da lógica interna da continuidade. O limite da composição é a justaposição. Assim, uma pequena ante-sala centrada em relação à planta e apenas insinuada pela parede dos sanitários à esquerda e pela lareira à direita, é o local de acesso a casa propriamente dita. Voltada para a sala de estar, a lareira é o centro das atenções.
Assim como a casinha, esta residência não obedece à implantação tradicional da época. O lado maior do volume retangular corre em paralelo à rua e, ainda que a parte posterior do lote não fosse explorada, como posteriormente Artigas o fará em outras residências, esta implantação altera a relação convencional de frente e fundo. Todos os ambientes estão, por assim dizer, no “meio”, expostos, apenas os quartos possuíam um resguardo maior. A relação interior/exterior está caracterizada também com as portas de correr.
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