A Fábrica Sesc Pompéia, é lugar onde no seu interior as coisas “parecem” acontecer alheio ao entorno que o cerca. Já na entrada ao cruzarmos o portal, nosso imaginário parece ser aguçado por um ar de “um mundo a parte” daquele externo. Um lugar em que o tempo, as preocupações e todas a vida agitada de São Paulo parece não nos acompanhar ao cruzarmos o portal de entrada. A sensação que se tem é que lá tudo acontece num ritmo onde corpo e alma não se desassociam, funcionam em plena harmonia, diferentemente do que se acontece no exterior. O curioso disso tudo, é que embora isso possa ser sentido, também se tem, ao contrário, a nítida impressão de que a cidade adentra pelo complexo da Fábrica Sesc Pompéia, assim como era a proposta de Lina Bo Bardi. Ao cruzar o portal tudo se transforma e se equilibra harmoniosamente como se aquele “lugar mágico” transformasse correria em sossego, preocupação em serenidade e, agitação em calmaria. De certo, aquele lugar meche com nosso imaginário, mesmo que isso seja imperceptível para seus freqüentadores do dia a dia, ele é acima de tudo força de motivação e alegria para o retorno no próximo dia.
Claro que muito do que se percebe e se sente na Fábrica Sesc é fruto de sua arquitetura expressiva e de forte identidade, que surgiu da revitalização de uma fábrica, sugerida por Lina Bo Bardi e tornou-se um dos maiores exemplos de centros culturais dentro do país. Sua importância, atualmente, se justifica, sobretudo, por ser um espaço de efetiva utilização pela população.
Falamos de uma obra de restauração e por que não de revitalização para o entorno imediato, antes ocupada por algumas fábricas, que tem um caráter marcante de importância na história da Arquitetura da segunda metade do século XX na cidade de São Paulo, e porque não no Brasil.
No SESC Fábrica da Pompéia percebe-se nitidamente a proposta de preservar ambiente e história do local, unindo cultura, esporte e lazer. A antiga fábrica de Tambores - projeto inglês da década de 30, localizada no Bairro da Pompéia em São Paulo - foi adquirida pelo SESC em 1968. Obra construída em alvenaria e concreto, que se encontra em boas condições, embora precisasse adaptações para o novo uso. O espaço passou a se muito utilizado por famílias, crianças e jovens que se divertiam aos fins de semana. Tudo isso encantou Lina, surgindo daí o partido arquitetônico para a restauração: “Pensei: isso tudo deve continuar assim, com toda essa alegria” (Lina Bo Bardi). Dedicando seu trabalho da Pompéia às crianças, jovens e à terceira idade, e todos que pudesse e quisesse usufruir desse espaço.Sua função social e humana eram requalificar a fábrica, de maneira a preservar a memória Industrial, mas utilizando soluções modernas de restauro. O programa foi proposto com: teatro, restaurante, choperia, espelhos d’água, lanchonetes, salão para conversar, ler e jogar, biblioteca, videoteca, marcenaria, fotografia, obras de arte, lazer, espaço para exposição, oficinas, etc. Além é claro da solução de se verticalizar todo o complexo esportivo em dois grandes blocos separados e interligados por passarelas flutuantes, as quais conferem leveza ao concreto armado das caixas, onde se abriga, as quadras, piscinas, e salas de ginásticas, lutas e musculação. Criando uma obra de conjunto onde parece que se destacar nitidamente o contraste do horizontal com o vertical. O reservatório d’água é um marco que também compõe a obra. Com 70 metros de altura possuindo anéis em relevo, faz referência a antiga chaminé da fábrica.
Sua rua de acesso interno ao Centro de Lazer liga os pavilhões, levando-nos ao grande deck, que foi construído estrategicamente, pois se tratava de uma área não edificável, ao longo de um córrego canalizado, espaço apropriado par um banho de sol.
A expressão minuciosa de Lina se faz nos detalhes. Alguns exemplos podem ser notados, como os espelhos d’água e a lareira, motivos de integração de pessoas usando uma forma lúdica: “tem água para as crianças molharem os pés e tem fogo para as pessoas se juntarem ao seu redor, no inverno” (Lina Bo Bardi).
Lina Bo Bardi conseguiu seus ideais na restauração da abandonada fábrica em uma admirável e vital arquitetura do complexo cultural e desportivo – SESC Pompéia. Sua obra é alegre, encantadora, expressiva, visível, com forte identidade e charmosa composição. O lúdico entusiasma os freqüentadores, sendo uma obra atual e que nos convida ao se passar em frente ao portal de entrada. Seu contraste com o entorno é notório, embora, todo o monumental conjunto dialogue com a cidade na sua relação de escala humana, e sobretudo como lugar de respiro em meio a conturbada vida da Metrópole paulistana.
É surpreendente as soluções adotadas por Lina, para o Sesc Pompéia, o grande destaque talvez foi como ela resolveu a questão da pequena área edificante do terreno juntamente com o extenso programa exigido. Tudo sempre pensando no ser humano e nas suas relações sociais, motivados pela alegria do encontro e celebração da vida. Talvez, isso possa justifica o caráter simples, porém aconchegante de sua obra, onde o usuário se sente praticamente como se estivesse na sua própria casa, ou porque não, na nossa casa.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
SESC POMPÉIA (A FÁBRICA DA ALEGRICA - "CASA DE TODOS")
A FÁBRICA DA ALEGRICA - "CASA DE TODOS"
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