quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

FAUUSP - " A VERDADE DO CONVÍVIO"

"A VERDADE DO CONVÍVIO"

O Edifício da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) situado no campus da Universidade de São Paulo – USP foi construído a partir do ano de 1966. Foi encomendada a Vilanova Artigas (1915 - 1985), sendo projetado junto com Carlos Cascaldi, seu colaborador em diversas obras realizadas no período.

O projeto FAU evidencia as linhas mestras de concepção que Artigas tinha sobre arquitetura, bem como, os princípios metodológicos a que acreditava que deveriam ser formados os novos arquitetos. Sua função está estritamente ligada ao seu uso, tanto que, segundo a professora da FAU que nos acompanhou na visita, isso acaba sendo um dos grandes empecilhos para readaptação às novas necessidades acadêmicas à formação atual de arquitetos, como é o caso dos estúdios que foram concedidos abertos. Fechar alguns espaços para criar novos ambientes significaria alterar a proposta original de Artigas.

O uso do concreto bruto, do vidro, a simplicidade de suas linhas, assim como a ênfase na integração dos espaços caracteriza esse edifício em econômico, funcional e plasticamente original.
A primeira sensação que se tem logo ao chegar é que ele parece um grande paralelepípedo em concreto, sustentado por pilares em forma de trapézios duplos, apoiados levemente sobre o solo; percebe-se a alternância de planos altos e baixos, cheios e vazios, linhas retas e curvas.
A proposta central do projeto reside na idéia de continuidade espacial, que o grande vazio central explicita. Possui seis pavimentos, ligados por rampas largas de inclinações suaves e variáveis. Os amplos espaços abertos e a comunicação entre os diferentes setores sublinham o ideal de um modo de aprendizagem em que Artigas.acreditava, que se valorizavam o comunitário e as relações sociais.

Na área interna do prédio encontram-se: oficinas de modelos, tipografia, laboratório fotográfico, estúdios, salas de aula, além de um auditório, biblioteca, café, secretarias, departamentos, um ateliê interdepartamental, o salão caramelo - amplo espaço de convívio social - e o museu.

O edifício foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat como patrimônio cultural do Estado. O prédio da FAU/USP é considerado uma das obras-mestras de Artigas.

Todavia, o que mais chamou a atenção foi o mau estado de conservação do edifício, inexplicável se tratando de um edifício onde funciona uma escola de arquitetura. De certo que o desgaste natural de qualquer obra é inevitável, porém o estado a que chegou demonstra certo descaso da direção da Universidade para uma edificação de tamanha relevância para a história da arquitetura paulista e do Brasil.
Problemas sérios como infiltração advinda do telhado é uma das principais patologias identificadas logo a entrar no prédio. Segundo a professora isso ocorreu por um misto de coisas: desgaste natural do tempo, associado a uma má execução do telhado, seguido é claro da falta de manutenção eficiente.

Porém, nada que venha a diminuir a importância histórica da edificação assim como o impacto de percepção dos planos que se interceptam, criando um amplo espaço onde tudo parece se integrar, desde o convívio entre as pessoas, assim como das pessoas com a obra. Artigas, conseguiu com essa obra talvez chegar bem perto da “verdade” a que acreditava, estampou na relação material, planos e vãos livres uma arquitetura que nos questiona o individualismo e nos convida ao convívio. Talvez fosse essa a maneira que ele conseguira para dizer para os críticos e para nós, que a arquitetura moderna não é apenas racional com se diz, onde forma segue a função, mas, também é sensação, que precisa ser vivida não apenas na experiência individual, mas, sobretudo, na comunitária.

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